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Violência para crianças carentes  é algo normal
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Violência para crianças carentes é algo normal

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Um país e muitas realidades. O Brasil é o retrato da miscigenação racial, cultural e estrutural. Se o lema ‘a criança é nossa esperança para o futuro’, for a única base para a grande massa que representa o Brasil de amanhã, estamos perdidos. Um estudo lançado pelo centro de pesquisa Instituto Igarapé e a ONG humanitária Visão Mundial indica que crianças criadas em áreas carentes por famílias de baixa renda não temem a violência
e convivem normalmente entre tiroteios
e confrontos.
A bola e a bicicleta foram substituídas por pedaços de pau e restos de armamento deixados pelos bandidos e que, agora, servem para a brincadeira de tiroteio entre crianças de três anos de idade.
Segundo o diretor de pesquisa do Instituto Igarapé, Robert Muggah, essa normalização acontece porque a violência faz parte do cotidiano dessas pessoas. Ela está no dia a dia, nos noticiários e nas redes sociais.
O Brasil é o 2º país no mundo com o maior número de homicídios contra adolescentes. Segundo dados da Unicef, a cada dia, 28 crianças e adolescentes morrem no país
devido a situações de violência.

A importância de perceber que a violência não é normal, dizem os pesquisadores, é evitar que o ciclo se perpetue e que quem a comete fique impune. As consequências da exposição constante de crianças à violência são várias, dizem os pesquisadores: reprodução da violência, dificuldade de estudar, problemas
de saúde ligados ao estresse.

“Há pesquisas que mostram que pessoas expostas a estresse constantemente têm seus cérebros transformados quimicamente. Essas mudanças geram uma espécie de vício em situações de estresse. E assim a violência se perpetua.”
Investir na primeira infância é a melhor forma de reduzir a violência. Mas no Brasil, os pequenos deixaram de ter infância há tempos.

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