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União política é por legalização  da bandidagem do caixa 2 e fim da Lava Jato
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União política é por legalização da bandidagem do caixa 2 e fim da Lava Jato

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Inescrupulosos, cúpula da corrupção quer convencer sociedade da diferença entre
safadeza, pilantragem e descaramento
Em tempos de corrida dos ratos na tentativa de se livrar do pulo do gato, têm político mostrando ao mundo toda sua sem-vergonhice.
Enquanto executivos da Odebrecht começavam a fechar os termos dos acordos de delação premiada como Ministério Público, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reunia pela madrugada (como se político brasileiro fosse adepto de hora extra quando na verdade foge do trabalho em dias normais) em seu gabinete, líderes e deputados de vários partidos para articular a votação, no plenário da Casa, do pacote de medidas de combate à corrupção, mirando em uma anistia para o crime de caixa 2 com reserva explícita de perdão para crimes cometidos em eleições passadas, desde sempre e até agora.
Uma boa parcela de pessoas que ocupam cargos de dirigentes no país em diferentes esferas (econômicas, financeiras e políticas) vive da, e, para a bandidagem organizada de nosso país – prova disso é a Lava Jato que, exuberantemente, mostra os canastrões inundados de corrupção. E é justamente pela Operação Lava Jato que a população tem conhecimento que a quase totalidade das custosas campanhas eleitorais foram e são alimentadas por propinas, vindas, sobretudo, das estatais (como Petrobras). Ora declaradas para a Justiça Eleitoral como doações de campanha, ora dadas por fora, particularmente por meio de contas no estrangeiro.
Ou seja: o caixa 1, declarado, é propina que passa pelo processo de lavagem. O caixa 2, é dinheiro dado por fora. Querem anistiar os dois (o que significa perdoar a quase totalidade da operação Lava Jato).

Fim da Lava Jato
O procurador Deltan Dallagnol acusou o Congresso brasileiro de querer anistiar o caixa 2 e acabar com a Lava Jato.
“Eles introduzem um debate de anistia ao caixa 2. Mas qual seria o interesse de anistiar um crime se ninguém é condenado? A consequência no Brasil do crime de caixa 2 é nenhuma. Esse debate apenas é uma roupagem para anistiar a corrupção”, disse ele.
“O caixa 2 é sim nocivo. O dinheiro não é declarado porque é fruto de corrupção ou porque é usado para a compra de votos. Caso contrário, não haveria razão para que o dinheiro não fosse declarado. O nosso sistema hoje não prevê um crime de caixa 2 consistente”, afirmou ainda.

Cardozo vê diferenças
Entendido do assunto, o ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse que caixa 2, corrupção e lavagem de dinheiro são “coisas diferentes”.
“A caixa 2 inclusive, vale dizer, daquilo que vejo, é uma prática recorrente e nem sempre ela agasalha a corrupção. Às vezes, ela é uma questão em que ela é desenvolvida de maneira de que o empresário doa esse dinheiro e você processa na caixa 2, muitas vezes em algumas campanhas sem que efetivamente saiba a origem. Então há situações distintas, a corrupção tem uma característica, a caixa 2 tem outra. Às vezes, a caixa 2 é utilizada sim pra receber recursos de corrupção, mas às vezes não”, disse Cardozo.
“Veja, tudo é ilegal. Mas é importante precisar qual é a ilegalidade que se coloca. Caixa 2 é ilegal, é, é recriminável, é, eticamente reprovável, é, mas não se confunde necessariamente com corrupção ou lavagem de dinheiro. Pode se confundir, pode. É frequente até que isso ocorra, sim. Pelo menos, é isso que se sabe ao longo da história brasileira. Agora, que são coisas diferentes, sem sombra de dúvidas são”, completou.

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