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Senadores faltam ao trabalho, ganham salário integral e nenhuma advertência
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Senadores faltam ao trabalho, ganham salário integral e nenhuma advertência

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Só o povo brasileiro tem pressa em colocar o país nos trilhos. Dependendo dos senadores para as principais pautas do Brasil, muitos políticos dão show de irresponsabilidade e falta de compromisso para com
a pátria e os eleitores.
Entre os 81 senadores, apenas um compareceu a todas as sessões no Senado em 2016: José Reguffe (DF). O levantamento realizado pela revista Congresso em Foco, confirmou que, em seu primeiro mandato, o senador sem partido foi a todas as 91 reuniões para votação de projetos, medidas provisórias ou propostas de emenda constitucional (PECs) no plenário da Casa. Outros quatro registraram uma única ausência em todo o ano: o candidato à presidência do Senado e líder do PMDB, Eunício Oliveira (PMDB-CE), José Pimentel (PT-CE), Pedro Chaves (PSC-MS)
e Waldemir Moka (PMDB-MS).

Mais faltosos
Denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro ao Supremo Tribunal Federal (STF) na Operação Lava Jato, Fernando Collor, faltou uma a cada três sessões convocadas para votações. O senador foi o mais ausente do plenário entre todos os seus colegas em 2016. Mas Collor não sofrerá nenhuma sanção administrativa e nenhum prejuízo de seu salário, uma vez que das 30 faltas ele justificou 25, todas por realizar atividade parlamentar.
Na lista dos mais faltosos de 2016, também estão dois deputados com histórico de polêmicas: Paulo Maluf (PP-SP) e Wladimir Costa (SD-PA). O ex-prefeito de São Paulo, que coleciona acusações criminais na Justiça e já virou até símbolo de campanha internacional sobre corrupção, faltou a 42 dos 94 dias em que houve sessão deliberativa na Câmara. Maluf atribuiu 25 ausências a problemas médicos e outras duas a participação em missões autorizadas. Quinze aparecem, ainda, sem justificativa.
O deputado Wladimir se destacou na votação do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em abril, quando detonou um rojão de confetes dentro do plenário e conclamou seus colegas a levantarem as mãos em apoio ao afastamento da petista. A imagem ganhou as redes sociais.

Sem controle
Esse tipo de explicação é a mais comum entre as usadas pelos senadores para escapar do desconto no salário, previsto para quem faltar sem justificar. Na prática, a atividade parlamentar pode ser qualquer coisa que o congressista fizer em Brasília, no seu estado ou no exterior. Até a ausência para pedir votos a aliados políticos durante a campanha eleitoral, como a que houve em 2016, pode ser abonada. A Mesa Diretora do Senado perdoa as faltas mesmo quando a desculpa do senador não especifica
o local ou a agenda a ser tratada.

Sem punição
A Constituição prevê a perda do mandato do deputado ou senador que faltar a mais de um terço das sessões ordinárias ao longo do ano sem se justificar. Collor estaria sujeito a essa punição se suas faltas não tivessem sido abonadas. O problema é que, além da possibilidade de ter a falta perdoada por problemas de saúde ou pela necessidade de representar o Parlamento, o congressista também pode justificar que realizou atividade parlamentar no estado, sem detalhar o que fez. Portanto, atividade parlamentar pode ser qualquer coisa… até não fazer nada!

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