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Sem condições familiares e investimento governamental fica difícil aprender
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Sem condições familiares e investimento governamental fica difícil aprender

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Posição social entre alunos das redes públicas e particulares determina rendimento escolar em todo país

Apesar da melhora do desempenho dos estudantes das escolas públicas nos últimos anos, não há nenhuma novidade; a posição social e diferença de rendas continua refletindo nos resultados. A desigualdade entre escolas públicas e particulares aumentou na maioria dos estados do país.
Os estados do Norte apresentam a maior diferença. Dados da Prova Brasil, avaliação oficial feita pelo Governo Federal, apontam que em língua portuguesa a desigualdade é maior em 17 estados do país comparados a 2009. Em matemática, a diferença está
entre 10 estados.
A escola que deveria servir para equilibrar as desigualdades já existentes na sociedade, pode provocar ainda mais diferença.

Analfabetismo funcional
O caso é tão preocupante, que nas áreas que tiveram resultados mais alarmantes na escala de proficiência de língua portuguesa, os alunos mais pobres não conseguiram localizar informações explícitas em textos, ou reconhecer um problema e a relação de causa e consequência. Em matemática, os alunos tem dificuldades para, por exemplo, converter uma hora em minutos ou até mesmo interpretar as horas em relógios de ponteiros. No Brasil há aproximadamente 35 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, que não são capazes de compreender textos simples e fazer operações de matemática.

Fatores
O nível socioeconômico é evidentemente um dos principais fatores para essa desigualdade. A falta de estrutura nas escolas de regiões mais pobres, falta de profissionais qualificados, e desestrutura familiar comprometem o
desempenho.
O principal ponto não são as diferenças entre os resultados das pesquisas, mas sim o abismo educacional que existe entre as camadas mais pobres. Há uma rede de problemas envolvidos, não só nas escolas. Há carência de transporte, assim, os alunos tem dificuldade para se locomover, o que acarreta em muitos alunos faltosos que perdem conteúdo.
A falta de material e infraestrutura para o professor resulta muitas vezes no
abandono da função.
Características como oferta de reforço escolar, professores qualificados, infraestrutura escolar, estímulo emocional e até o acesso a pré-escola contribuem para o progresso do aluno, mesmo que em
condições de pobreza.

Na lista de maiores notas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) divulgada pelo Governo Federal, mais uma vez a desigualdade é notória. Considerando as provas objetivas do Enem 2014, apenas 93 escolas públicas entraram no ranking de 1000 melhores. O resultado significa menos de 10% do total.
A diferença é ainda maior quando revela-se que 72 das escolas públicas que entraram na lista são escolas federais, colégios militares e institutos técnicos.

 

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