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Quem não morre, se mata
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Quem não morre, se mata

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Da plantação ao trago,  cigarro é sinônimo de morte

Cultivo do tabaco é o principal fator de suicídio no sul do país e falar sobre o assunto ainda é tabu pelo mundo

Suicídio não é um tema novo, mas a abordagem do assunto pela mídia continua tímida e para tentar quebrar esse silêncio ensurdecedor unimos a tragédia dos agricultores no sul do país que, sem esperanças na lavoura, acometidos pela doença maligna do plantio da folha de tabaco e as dívidas com a plantação tem recorrido ao desastre do fim das próprias vidas para alertar sobre o assunto tão recorrente neste período de grande crise no país.
O suicídio é um grave problema de saúde. A cada 40 segundos, uma pessoa morre dessa causa no mundo. De acordo com a pesquisa Comportamento Suicida: Conhecer para Prevenir, realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), por trás de uma tentativa atendida em pronto-socorro, outras 17 pessoas pensaram seriamente em pôr fim à própria vida. Destas, cinco chegaram a elaborar um plano de morte. O ato contra a própria vida não é um problema atual. É visto como saída extrema, em alguns casos, há muitos séculos.
Existe um mito de que pessoas que falam em suicídio só o fazem para chamar a atenção e não pretendem, de fato, terminar com suas vidas. “Isso não é verdade, falar sobre isso pode ser um pedido de ajuda. Algumas das frases mais comuns repetidas por quem está propicia a dar um fim na própria vida são; “não aguento mais”, “eu queria sumir” e “eu quero morrer”. Então, se você ouvir um parente ou amigo falando algo do tipo, cometendo atos insanos de comportamento autodestrutivo, histórico de tristeza constante, preste atenção.

Estresse por toda parte
Quem pensa que a vida campestre cuidando da lavoura prolonga a vida e afasta o stress
vai se surpreender nas taxas de suicídio do Rio Grande do Sul (10 a cada 100 mil habitantes) que conseguem dobrar comparadas as taxas do resto da país contra 5,2 por 10 mil habitantes. E os casos estão concentrados na região central gaúcha, conhecida por um polo fumageiro – da indústria do fumo.
A conexão entre suicídio e plantadores de fumo é apontada em diversos estudos científicos. Um relatório da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa gaúcha apontava, em 1996, que 80% dos suicídios da cidade de Venâncio Aires, a maior produtora de tabaco do Estado, eram cometidos por agricultores. O mesmo estudo mostrava aumento nos suicídios quando o uso de agrotóxicos era intensificado. Segundo uma pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o uso de agrotóxicos como os organofosforados, aumenta as chances de depressão dos agricultores. Além da doença da folha verde, causada pela intoxicação por nicotina através do contato da planta úmida com a pele, os principais sintomas são vômito, tontura, dor de cabeça e fraqueza, de acordo com o Ministério da Saúde. Grande parte dos casos de suicídio da região tiveram tratamento prévio contra depressão por sinais da doença da folha verde. Depressivos, muitos agricultores acabam tratando seus problemas com o álcool, acrescentando mais um fator de risco a própria vida.
Endividados como os trabalhadores das metrópoles, a crise financeira é o principal gatilho para o estresse entre fumicultores. Eles precisam organizar o dinheiro que recebem apenas uma vez por ano para sustentar a família pelos 12 meses seguintes. Além disso, a maioria deles tem dívidas com as próprias empresas que compram sua produção. Não é raro que os processos movidos pelas companhias terminem com a tomada das terras dos agricultores.
A dívida inicia quando o agricultor se compromete a entregar sua produção a uma empresa específica. A empresa fornece sementes, venenos e equipamentos de segurança e muitas vezes exige a construção de galpões. Mas tudo isso
é descontado do valor a ser pago pela produção.
A tragada de um cigarro financia a morte e a destruição de milhões de famílias.

O desespero significa o insuportável. Dia após dia o sofrimento fica mais intenso e viver tornou-se um fardo pesado demais para os ombros curvados e machucados pelo desprezo alheio. A angústia é uma dor insuportável beirando o incomunicável; por mais que se tente é impossível conseguir expressar a tristeza que comprime a alma como se arrancasse do ser. Sem nenhum sentido você tenta seguir com a vida, mas que vida? Melhor mesmo era fechar os olhos e nunca mais acordar. Seria a morte a solução para uma nova vida feliz e preenchida?
Há quem possa na vida nunca ter pensado em morrer, mas atire a primeira pedra quem nunca pensou em sumir diante dos problemas aparentemente impossíveis de solução. É comum ao ser humano experimentar, ao menos uma vez na vida, a sensação de vazio, desespero e desesperança. Do mais rico ao mais pobre todos passam pelo dia mal. Aquele que nos confronta a nossas próprias incapacidades e mostra que nada do que conquistamos ou achamos que poderíamos suportar é suficiente para este momento.
Entre o fundo do poço e um respiro aliviado está a ponte de seus pensamentos se reorganizando, as experiências do cotidiano te direcionando para o centro de si mesmo e você começa a reestabelecer a confiança em si mesmo. Há uma saída, um apoio em você e nas pessoas que te cercam. Mais acima de tudo há dentro de você um voz que fala baixinho que você é alguém, importante e capaz de superar todas as coisas. Que em todo esse mundo hostil, destrutivo e injusto nada se compara a seu jeito, beleza e qualidades ímpares. Você ouve dentro de você mesmo o quanto é único, capaz e importante neste contexto chamado existência. Tudo existe para você e foi criado por você. Para que possa dominar e não ser engolido por ele.
A vontade de matar a si próprio é alimentada pela mentira da auto piedade, da falta de capacidade
e importância.
Quando a figura da auto piedade se apresentar, combatê-la com a autoconfiança é o primeiro passo para dar a volta por cima.
O suicídio é o final permanente para um problema temporário.

O Rio Grande do Sul tem 73.430 famílias (mais de 577 mil pessoas) que colhem 255 mil toneladas de tabaco anualmente, de acordo com a Afubra (Associação dos Fumicultores do Brasil)

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