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PROGRAMAS INCITAM SEXUALIDADE, MAS ESCONDEM DRAMA DA GRAVIDEZ PRECOCE
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PROGRAMAS INCITAM SEXUALIDADE, MAS ESCONDEM DRAMA DA GRAVIDEZ PRECOCE

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Mesmo com o desenvolvimento da tecnologia e maior acesso à informação, o índice de gravidez precoce não diminuiu no Brasil.
Um estudo recente mostrou que em todo o país, crianças de 10 a 14 anos continuam tendo filhos sem ao menos ter conhecimento do que é uma gestação. Os números são alarmantes nas áreas mais pobres, alcançando os piores índices na região Norte do país.

Este foi o caso de Maria (nome fictício), 13 anos, quatro meses após a sua primeira relação sexual, descobriu que estava grávida. Até receber a notícia, a menina não havia recebido qualquer orientação em casa ou na escola. Sua primeira consulta foi feita por um psicológo, para que entendesse o que era ser mãe.
“Quando entendi que estava grávida, senti muito nervosismo. Pensei: não vou ser mais criança, agora eu vou cuidar de outra criança”, lembra ela, com a fala tímida.

A gravidez na pré-adolescência em geral traz efeitos negativos para as meninas e seus bebês: estudos mostram maior incidência de evasão escolar, de depressão pós-parto e de nascimentos prematuros e com baixo peso.

Indução
A precariedade de educação sexual nas escolas e também nas famílias acaba agravando o grande índice de gravidez precoce e indesejada em lugares com baixo acesso à informação. Normalmente, o primeiro contato desses pré-adolescentes, e muitas vezes o único, com assuntos sexuais é através de cenas de novelas e músicas de apelo sexual.
As canções cada vez mais apelativas e pejorativas, e as cenas de novela onde tratam a relação sexual como uma ação banal e costumeira servem de exemplo para que crianças façam igual, sem saber o que estão fazendo ao certo.
E engana-se quem acredita que ao ser discutido assuntos sexuais abertamente na televisão e internet contribui para a conscientização; as estatísticas provam o contrário.

Retrocesso
Especialistas da área de saúde e educação indicam que a estabilidade do quadro de gravidez precoce se deve a falta de oritenção sexual nas escolas. Segundo a Unesco, o ensino sobre prevenção sofreu retrocesso por conta de uma polêmica envolvendo um material educativo chamado de “Escola sem Homofobia”. Ao incluir este tipo de conteúdo, foi recolhido todo o suporte didático para educação sexual que era distribuído para crianças a partir dos 12 anos, no âmbito do Programa Saúde na Escola.
“Hoje, nessa faixa etária de 10 a 14, nada tem sido feito no campo das políticas públicas de educação e sexualidade. Não existe uma diretriz nacional. Isso acaba virando um tabu e, como consequência, temos as crianças engravidando”, critica Rebeca Otero, coordenadora de Educação da Unesco no Brasil.

Educação familiar
Pesquisas apontam que a principal causa da gravidez na adolescência, além da não utilização de métodos contraceptivos e o apelo midiático, é a falta de diálogo em casa.
A educação sexual é de responsabilidade principalmente dos pais, que ao instruírem os filhos, evitam não só a gravidez, como as doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Problema Nacional
O Brasil não possui um controle de natalidade consolidado, e tão pouco, planejamento familiar. O governo resolve o problema social oferecendo bolsa família e outros benefícios a famílias de baixa renda, independente da idade.
Essas medidas desencadeiam um problema social muito maior, levando em consideração que a maior parte dessas mães adolescentes abandonam os estudos para dedicar-se a nova vida
que gerou.

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