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Por um Brasil melhor precisamos ser mais honestos que o governo

Por um Brasil melhor precisamos ser mais honestos que o governo

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Por Alexandra Gomes
Jornalnacaobrasil@gmail.com

Ela sempre existiu, velada e um tanto exclusiva para um seleto grupo de seres humanos. Pessoas que sentiam-se acima de tudo e todos. Mas o escândalo da Petrobras derrubou as barreiras que protegiam os grandes criminosos da nação expondo-os em suas transgressões. Políticos, seus familiares, empresários e seus impérios têm manchado a imagem do nosso país.
Mas o povo tem exercido como nunca seu direito como cidadão e demostrado o real significado da palavra democracia. Prova disso é que em cem dias, caíram os 3 presidentes do Brasil: do Executivo (Dilma Rousseff – PT), da Câmara (Eduardo Cunha – PMDB) e do Senado (Renan Calheiros – PMDB). Mas que um recado aos corruptos o povo brasileiro deixou bem claro que a era dos bandidos acabou.
Indignação, impotência e revolta são combustíveis que movem a população por um país mais justo, porém a questão que devemos levantar é; não estaríamos também dentro dessa classe de corruptos que
afunda o Brasil?
Não seria cada brasileiro responsável pela propagação da corrupção vestida da cultura do ‘jeitinho’, da malandragem como parte da maneira de ser brasileiro, quase que uma exaltação dessa habilidade da nossa gente de encontrar formas ‘criativas’ para resolver problemas? A corrupção, como ela se manifesta em nosso país, entra também por meio dessa validação cultural e quase que institucionaliza
a sua prática.
A ‘Lei da vantagem’ aplicada no cotidiano das pessoas não as fez imperceptíveis quanto aos delitos que cometem sem ser percebidos como atos ilícitos?
Questão de caráter
A educação que vem de berço deve carregar consigo o desenvolvimento do senso crítico entre certo e errado. Pais que veem com naturalidade o filho que passou de ano colando nas provas não poderão repreender o jovem quando pagar propina ao guarda de trânsito depois de cometer uma infração.
No Brasil a percepção de crime caminha junto com o grau de intimidade com o transgressor. Um pai enxerga seu filho criminoso de forma muito mais condescendente que classifica o filho de um desconhecido. É como se ele tivesse pronta uma justificativa para seu filho corromper alguém ao transgredir uma lei. É preciso entender que aceitar essas pequenas corrupções legitima aceitar grandes corrupções.

Vantagem a todo custo
Do troco errado a vaga de estacionamento para deficientes, a vantagem que muitas pessoas procuram a todo custo é na verdade a corrupção contra seu próximo. Uma pesquisa do Ministério Público listou os dez crimes de corrupção mais cometidos no dia a dia, são eles; Não dar nota fiscal; não declarar Imposto de Renda; tentar subornar o guarda para evitar multas; falsificar carteirinha de estudante; dar/aceitar troco errado; roubar assinatura de TV a cabo; Furar fila; comprar produtos falsificados; No trabalho, bater ponto pelo colega; falsificar assinaturas.
Este levantamento foi realizado em 2012, de lá para cá muitas outras formas de corrupção foram implantadas na sociedade pela população, pois nosso cotidiano está cheio de corrompidos. Pessoas que cometem, naturalmente, pequenos delitos por acharem que as ações não prejudiquem ninguém ou que estejam realmente certas.
Transporte de graça, fuga na blitz da Lei Seca, habilitação comprada, fraude na meia-entrada, sonegação de impostos, educação no trânsito e tantas outras ações que ferem as leis…

Exemplo como cristão
Último levantamento realizado constatou que somos cerca de 116 milhões de brasileiros se declaram cristãos, entre católicos e evangélicos. Princípios bíblicos, claros e objetivos condenam, veementemente, qualquer ato ilícito. Mas nem mesmo quem, por regra, deveria dar exemplo escapa dos ‘desvios éticos’ individuais e na coletividade de suas instituições.
Muito do que vivemos na atualidade é fruto de um cristianismo irrelevante do ponto de vista político-social. O cristianismo está aqui antes de nossas terras serem chamadas de Brasil e depois de cinco séculos – tornou-se majoritário no país; no entanto este mesmo cristianismo tem se mostrado incapaz de formar uma nação relevante por seus princípios, ideais e exemplos – a citar pelos políticos que temos.
Não teriam a Igreja católica e os protestantes a responsabilidade conjunta aos evangélicos tradicionais, pentecostais e neopentecostais com o seu cristianismo vertical que se mantiveram omissos nos fundamentos políticos e sociais na crise dessa nação?

Antes do ‘novo caráter político brasileiro’ é preciso que busquemos pelo novo caráter individual. Voltar aos valores e decidir pela honestidade, principalmente, quando não beneficiar a ninguém – nem a nós mesmos -.
Saber que retidão de conduta independe dos credos religiosos. Que os espíritas, kardecistas, umbandistas, ateus e todos os demais são, dentro de um posicionamento anticorrupção, parte integrante de uma sociedade
que clama por justiça.

se partir de nós tudo vai melhorar logo
Além de toda crise política, econômica e financeira o Brasil vive uma crise moral que se estende há anos. Não há governo corrupto que fique de pé diante de uma sociedade íntegra. Mas você não pode fazer parte do grupo contrário a toda essa sujeira adquirindo produtos piratas. Não há como apontar o político ladrão se você acha sorte ter recebido um troco a maior em seu benefício. Se não está na idade, grávida ou é deficiente, as vagas exclusivas não são destinadas a você, mesmo que seja rapidinho. Que parta da população o exemplo de retidão de caráter para o ínicio de um país melhor.

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