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no brasil, Monstro na cadeia vira santo

no brasil, Monstro na cadeia vira santo

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Uma mãe desesperada, uma família destruída e sentimentos dilacerados que levarão toda uma vida para serem reconstruídos. Feridas abertas a cada data comemorativa, a cada injustiça do poder púbico que teria tudo nas mãos para amenizar tamanha dor com a punição de criminosos no Brasil.
Mas as frouxidão da lei, a impunidade e a corrupção no sistema judiciário matam os sobreviventes vitimas de uma tragédia lentamente.
Os monstros que esquartejam, assassinam, sequestram, estupram e transformam o mundo a seu redor em um verdadeiro inferno, quando presos, na cadeia, transformam-se em verdadeiros santos.
Alguns breves anos são suficientes para àqueles que deixaram uma mãe sem seu filho, a esposa sem marido, os filhos sem pais livrem-se de suas sentenças pelo absurdo da redução de pena.

Legislação
Pelo crime que cometeu o criminoso fica na cadeia, pela legislação brasileira, no máximo 30 anos. Uma pena branda, certamente, e, que só vigora na prática se um cidadão receber uma condenação maior do que 180 anos.
Aplicando essa matemática para a regra – e não para a exceção –, não é difícil perceber que são raros os casos em que uma pessoa condenada por homicídio simples, por exemplo, cumpre a pena total – que pode variar de 6 a 20 anos. O mais comum é seguirmos a regra que permite a progressão para quem cumpre 1/6 em regime fechado e tem bom comportamento, nesse e na maioria dos outros crimes.

Do ruim ao pior
A regra vale tanto para crimes de roubo quanto para homicídio, por exemplo. Ficam de fora da lista apenas os crimes hediondos, como sequestro, latrocínio (roubo seguido de morte) e homicídio qualificado, que preveem a progressão de pena depois de cumpridos 2/5 da condenação em regime fechado. O que fica disso para a população, muitas vezes, é uma sensação de impunidade, ao trazer de volta para o convívio social criminosos que cumpriram dois, três anos da pena dentro da prisão.

Casos
O caso da menina de 12 anos que foi estuprada dentro de um ônibus no Rio de Janeiro foi cometido por um homem que teria saído da cadeia um dia antes. Ele havia cumprido oito anos de prisão e tinha sete passagens pela polícia, por roubos
e homicídio.
Um dos assassinos do menino João Hélio – que morreu sendo arrastado depois de ficar preso no cinto de segurança de um carro, no Rio de Janeiro, em 2007 – voltou a ser detido, agora por tráfico de drogas, receptação e corrupção ativa. Na época, Ezequiel Toledo da Silva era menor de idade, cumpriu três anos de medida socioeducativa e foi liberado. Hoje, aos 21 anos, ele é considerado réu primário, por não ter cometido nenhum crime depois da maioridade penal que, no Brasil, é de 18 anos.
Depois de assassinar Sandra Gomide, o também jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, após 5 anos de prisão recebeu o privilégio do regime semiaberto.

Enquanto os criminosos recebem oportunidade para reconstruir suas vidas, as famiílias das vítimas têm suas sentenças de dor, sofrimento e impunidade renovadas todos os dias.

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