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Morte à democracia: voto impresso pode ser adiado
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Morte à democracia: voto impresso pode ser adiado

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Por
Alexandra Gomes

 

Há anos lutando por esse direito e, às vésperas da implantação, a democracia brasileira sofre duro golpe contra a urgente necessidade de mais transparência.
É que os Corregedores da Justiça Eleitoral pediram ao relator da reforma política, deputado Vicente Cândido (PT-SP), o adiamento da implantação do voto impresso nas urnas eletrônicas, previsto para
começar em 2018.
A alegação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é, meramente, financeira. Aos olhos dos corregedores, aplicar dinheiro para auditar o processo eleitoral parece inaceitável. Justo aqui, no Brasil, onde o desperdício de dinheiro público em regalias para políticos é cultura.
“As previsões são que o Brasil gastará entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões com novos equipamentos e a manutenção, é um novo design, nova estrutura, nova complexidade, apenas para ter a impressão do voto. Ora, esse valor é tão grande que quase que se equipara ao valor do novo fundo eleitoral que se está propondo. Convenhamos, estamos vivendo num momento de profunda crise econômica”, alertou o corregedor-geral eleitoral, Herman Benjamin, acrescentando que o Brasil é “festejado” em todo o mundo pelo voto eletrônico.

Manobras
Na tentativa de argumentar contra a medida, a urna eletrônica utilizada atualmente em todo território nacional passou por ‘modernizações’ e transformações estruturais. O protótipo foi apresentado na presença de vários ministros que, em sua totalidade,
engrossaram o coro do ‘custo alto’.
Temos que acoplar esse modelo (de urna) ao voto impresso. Estamos discutindo no Congresso se é possível atrasar ou se é mesmo necessário fazer essa modificação (para o voto impresso)”, afirmou
o ministro Gilmar Mendes.
A opinião do ministro Luis Roberto Barroso é de que o voto impresso é um retrocesso, mas que a Justiça Eleitoral tem que se adequar e fazer da melhor forma possível. Na vida, a gente deve trabalhar para minimizar o risco de problemas e não para aumentá-los. A sabedoria não é vencer os problemas, mas evitá-los quando possível”.
O ministro Napoleão Nunes Maia ressaltou o aspecto externo da urna e classificou como “moderno e futurístico” e passa ideia de “dinamismo e otimismo”, mas também criticou a impressão do voto: “não sei por que imprimir o voto se o sistema anterior era suficiente e confiável”, disse ele.
Ainda que falta de verba seja o maior dos implicativos, basta que os dois bilhões aprovados para inchar o Fundo Partidário seja remanejado para a implantação das impressoras às urnas eletrônicas.
Mais do que bancar campanha política, o Brasil necessita de eleições limpas e confiáveis em seu processo de apuração.

 

OPINIÃO

O voto impresso é a única arma de combate contra esquemas fraudulentos em nossas eleições. O que os ministros chamam de desperdício, a população brasileira classifica como necessário.
Saibam excelentíssimos ministros, políticos e apoiadores do adiamento dessa medida que o povo brasileiro está disposto a pagar por essa conta. Esse é um custo em que o dinheiro público, a favor do povo, será muito bem aplicado. Portanto, qualquer tentativa de adiar ou barrar essa lei é um golpe contra nossa democracia e a transparência eleitoral que cada brasileiro desta nação tem direito.
Desperdício é pagar regalias para os políticos e servidores públicos de alto escalão de todas as esferas. Desperdício é pagar auxilio moradia a quem vive em mansões, é pagar auxilio combustível de quem cruza a cidade em carros luxuosos. Desperdício é ver dinheiro público escoando sob incompetentes gestores públicos.

 

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