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Guerra na Síria – a dor é de quem sobrevive e convive com a  morte por todos os lados
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Guerra na Síria – a dor é de quem sobrevive e convive com a morte por todos os lados

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Desde a explosão da violência na Síria, em março de 2011, a guerra passou por uma escalada até se converter em um complexo “todos contra todos” entre governo, rebeldes, radicais islâmicos e potências estrangeiras, que se complicou ainda mais com a entrada da Rússia no conflito.E mantém inocentes que buscam apenas liberdade e justiça e que não são nem uma coisa nem outra, no centro do conflito, vítimas diretas de tragédias e mortes.
Eram sete da manhã – horário de Brasília – pais, crianças, idosos, famílias inteiras estiradas no chão em uma cena lastimável e impossível de esquecer. Olhos esbugalhados, respiração ofegante, pessoas espumavam pela boca e agonizavam até morrer sufocadas pelo ar. Ar, que na naquela manhã, parecia de igual confiança como todos os demais dias, mas um avião, um piloto e armamento químico mortal vitimaram mais de uma centena de pessoas, deixando mais de 400 feridos e muitos que carregarão sequelas pelo resto da vida. De repente, em instantes de segundo, a rua foi tomada por desespero, pedidos de clemência e morte. Muitas mortes.
O governo de Bashar Al-Assad nega autoria dos atentados, rebeldes extremistas e terroristas não se pronunciaram, curdos e sunitas mantiveram-se recolhidos e o mundo chora, enganado, achando que essa tivera sido a primeira tentativa de ataques desta natureza desde que em agosto de 2013 em em Ghuta, um subúrbio de Damasco, com um balanço de mortes que, na ausência de dados oficiais, oscila entre 650 e 1.400 e na ocasião, o número de feridos atingiu cerca de 3.000 pessoas, uma forte reação da comunidade internacional, liderada por Estados Unidos, Rússia e Nações Unidas, pôs fim teoricamente não só à utilização como também ao armazenamento dessas substâncias por parte do regime sírio. Oficialmente desde então não havia mais armas químicas no país, embora tenha havido relatos ocasionais de seu uso em outros momentos do conflito. Infelizmente, todos constataram que esta é outra das mentiras de uma guerra cuja solução parece hoje, impossível de acontecer.
O brutal ataque químico que aconteceu na terça-feira (04) na cidade de Khan Shaykhun em uma área controlada pelas forças rebeldes contrárias à ditadura de Bashar al-Assad é uma triste realidade de que na guerra civil, que acaba de completar seis anos, foram ultrapassados todos os limites admissíveis de qualquer convenção internacional sobre conflitos bélicos. O uso de armas químicas é um crime de guerra em si, mas é ainda mais odioso — se é que isso é possível —, pela presença de civis, entre eles ao menos uma dezena de crianças, entre os mortos neste atentado cruel.

Abismo chama abismo
O conflito, já terrível, se restringia a rebeldes (contrários a ditadura de Assad) e o governo ditatorial, mas os anos passaram, as vítimas aumentaram, mais combatentes recrutados e brechas foram abertas. Extremistas do Estado Islâmico infiltraram-se para deixar seu rastro de ódio e destruição, potências governamentais marcaram território e dividiram ainda mais o país. A Rússia, repugnante e lamentavelmente, é a nação que mais lucra com todo o massacre, pois é aliada mais forte do governo de Assad e a maior parceria em armamento.
A guerra é todo dia
Os noticiários estão repletos de acontecimentos deste tipo.
Mas apenas os de maior repercussão chegam a correr o mundo para que as notícias do horror da guerra sejam registradas. Entretanto, os missionários, voluntários, médicos que estão em campanha na Síria divulgam em suas redes sociais – quando podem – o dia a dia sob a pressão dos conflitos e seus efeitos. Há dois anos um ataque químico matou mais de 20 pessoas em proximidades a Khan Shaykhun, mas a mídia foi proibida de registrar. Governos, a ONU e os favorecidos com o horror, decidem, segundo seus interesses, quais episódios devem ser noticiados.
O terrorismo é atualmente a maior ameaça mundial e o mais difícil de ser combatido, na verdade, quase impossível. Terroristas estão infiltrados em quase todos os continentes e alistando suas tropas para agir sob seu comando em tempos determinados.
A crise migratória que assola o mundo é a porta de entrada para infiltração dos terroristas. Devemos, por humanidade, acolher os que sofrem, mas prioritariamente, precisamos de políticas de combate ao terrorismo de nações unidas para exterminar os extremistas.
O Estado Islâmico e afins são de responsabilidade das potências que detém poder de combate e não apenas dos governos que sofrem com suas ações.

Chorar pelos que choram
Ao longe eles não enxergam esperança, civis que sobrevivem em meio ao horror da guerra, sucumbem à espera de ajuda e definham sem condições de resistência. À mesma distância, quem assiste, obriga-se, no mínimo, a direcionar orações pelos que sofrem. Pois, independente, do que se creia, os horrores que a guerra provoca, apenas e unicamente Deus pode curar em um ser humano. Oremos pela Síria!

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