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EXÉRCITO ESTÁ NAS RUAS, MAS TRÁFICO QUE FINANCIA VIOLÊNCIA CORRE SOLTO NA CIDADE

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Reforçar a segurança pública no Rio passa, portanto, por ações de naturezas muito diferentes da presença provisória do Exército. Para que os cidadãos não tenham medo de morrer com uma bala perdida, é fundamental entender que a situação de violência e criminalidade é extremamente complexa e nenhuma medida individual dará conta de solucioná-la. Antes de recorrer às Forças Armadas, é preciso analisar se as medidas de segurança pública adotadas nos últimos anos têm sido suficientes e eficientes

 

A cena é típica de um déjà-vu. Militares das Forças Armadas operam nas ruas e avenidas do Estado, reforçando os pontos estratégicos para garantir o mínimo
de segurança aos cariocas.
Assim como aconteceu em fevereiro deste ano, o final de julho foi marcado pelo reforço do exército e de agentes da Força Nacional no intuito de frear os números alarmantes de roubos de cargas, assaltos e furtos a pedestres, veículos e todo tipo de violência a que os cidadãos estão expostos.

As Forças Armadas são vistas com confiança e credibilidade pela maioria da população brasileira. Treinados para proteger o país em ocasiões de conflitos internacionais, o Brasil necessita desses agentes pelos estados para nos salvar da guerra que ocorre internamente. Amparado pela lei, a convocação do contingente militar às ruas seria apenas e exclusivamente
para ações excepcionais.

Falência na segurança pública
De acordo com a lei, invocar o Exército é algo que só deve ser feito quando “esgotados os instrumentos destinados à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”. Ou seja, ou o presidente da República ou os governadores dos estados vão ter que reconhecer, formalmente, que há uma falência na segurança pública para a contenção e reversão do problema
de violência que estamos enfrentando.
Mas o remédio das Forças Armadas pelas ruas da cidade é um paliativo que causa efeitos colaterais nocivos de longa duração. Ainda que esperançosos pela extensão do prazo de permanência do contingente, a sociedade se pergunta: após a retirada definitiva das tropas, como ficará o Rio de Janeiro?

Contingente sim, estratégia não
Cinco dias após ações de reconhecimento, o Ministério da Defesa começou a retirar as tropas da região metropolitana. Os militares se concentraram principalmente na Avenida Brasil e no Arco Metropolitano, em movimento que, segundo a pasta, precede a segunda fase da operação, prometida
para a próxima semana.

Chapadão e Pedreira lideram ocorrência de violência
Em 2015, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, disse que pediu auxílio do Exército para ocupar o Morro da Pedreira e do Chapadão, favelas do bairro de Costa Barros, na zona norte, que aterrorizam moradores e motoristas
de cargas na cidade.
Dois anos depois nada mudou. Tropas nas ruas, mas as entradas das favelas continuam com livre circulação
de traficantes e bandidos.

Abastecimento da violência
Ainda que exército, Força Nacional e demais forças militares estejam nas ruas do país combatendo os criminosos, existe um inimigo impossível de ser exterminado sem a participação da sociedade: o usuário de drogas. Tanto o consumidor esporádico, quanto o viciado.
Esquema que dispensa arsenais, é do dinheiro da venda das drogas que os traficantes abastecem sua quadrilha com o mais pesado dos armamentos.
A droga que rola nas festas dos ‘playboys’ é a mesma vendida nas Cracolândias, a diferença é que das vielas o dinheiro chega amassado, fedido e sujo. Mas possui o mesmo valor da cédula nova paga pela galera do asfalto.
O consumo de drogas é o elemento principal que abastece toda a engrenagem da criminalidade.
O rapaz que paga o traficante por um papelote de maconha é o mesmo que arma esse criminoso para a compra de uma pistola para assaltos à mão armada, assassinatos, sequestros e estupros.

Todos vão,
mas a polícia sempre fica
Ainda que as causas excepcionais já tenham se tornado rotina, o Exército e a Força Nacional estão ‘emprestadas’ à população. Uma hora terão
de se recolher. E quem fica?
A sucateada, desprezada e
desrespeitada Polícia Militar.
Com um contingente aquém do que necessita o Rio, com metade das viaturas paradas por falta de manutenção e as que seguem em uso, estão todas com necessidade de reparo, fuzis enferrujados, coletes nem tanto à prova de bala assim, agentes sem salário, benefícios e apoio governamental, os homens da lei tentam o impossível para manter a ordem e fazer cumprir a lei pelas ruas da cidade.

Sem planejamento de ação efetiva e direcionada no combate à criminalidade, a sociedade vai continuar vivendo nesta oscilação de sentimentos de alguma segurança e certeza de total insegurança. Até descobrir que, abandonada pelo poder público, está na verdade, apenas, tentando sobreviver…

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