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ENTREVISTA EXCLUSIVA: Vitória Maria da Silva – Presidente do CRC-RJ
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ENTREVISTA EXCLUSIVA: Vitória Maria da Silva – Presidente do CRC-RJ

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O profissional da área contábil atua em uma posição extremamente estratégica dentro de uma organização, tanto pública, quanto privada. E com toda essa mudança de legislação, a responsabilidade do profissional dessa área cresceu muito e passou a ser encarado como um guardião da qualidade da informação que é gerada. Com o atual momento político do Brasil a Sra. acha que os contadores estão em momento privilegiado no país?
Com certeza, acho que esse momento é privilegiado, é um momento ímpar para os profissionais da contabilidade. Inclusive para mostrar que o que falta nesse país é contabilidade e vergonha na cara dos gestores públicos. Tanto que estamos lutando pela criação da Controladoria Geral do estado do Rio de Janeiro, que é uma promessa de campanha do governador e até o momento ele não cumpriu isso. Eu espero que ele cumpra para dar credibilidade ao estado e mostrar que nós somos imprescindíveis para o desenvolvimento socioeconômico deste país.
Lamentavelmente, a sociedade ainda não nos vê como parte importante para passar o país a limpo. Então eu acho que mais do que nunca é necessária a presença do profissional da contabilidade. Porque nos entristece muito quando escutamos falar em contabilidade criativa, contabilidade destrutiva, contabilidade isotérica, isso não existe. O que existe e está provado aí são os desvios das verbas públicas.

A Sra acha que existe um jeito de mudar a visão do empresário, empreendedor e micro empreendedor sobre o contador? Para que entendam que o contador não existe só para manter a empresa em dia, mas como um agente ativo? Para que essa transparência que a gente pede que o Estado tenha conosco, os empresários também comecem a exercer?
Isso é um exercício de cidadania, ainda vai demorar bastante. Mas hoje o pequeno e médio empresário tem andado de braços dados com seu contador. E o contador orienta, eu tenho certeza disso. Muitas vezes o empresário é que não está por dentro da importância do seu profissional, ele só vê o profissional da contabilidade como um mero preenchedor de guias para que ele possa pagar, quando isso não é verdade porque hoje também a contabilidade é mais gerencial.
Acabamos de assinar um convênio com a Firjan para mostrar para o empresário a importância do contador. Que essa contabilidade seja realmente para tomada de decisões. O contador sempre esteve atrás da mesa, ele não mostrava a cara. Mas acredito diante de tudo que está acontecendo que isso vai mudar. Nas reuniões que fazemos com associações e sindicatos estamos levando esse conhecimento e a importância de andarmos juntos com o empresário brasileiro porque o problema é de todos nós, é da sociedade.

A OAB costuma fazer a campanha de conscientização da população ‘sem advogado não há justiça’, então, sem contabilidade não há empresa?
Nós fizemos uma campanha institucional em 2016 com o slogan ‘contabilidade, quem leva a sério paga melhor’ e a ideia foi justamente pegar o micro empresário e aí colocamos o médico, a cabeleireira. O conselho está atuando muito nesse sentido mesmo, buscando parcerias com a própria Firjan, com a Fecomércio para sensibilizar o empresário. Essa campanha foi muito importante, foi um passo muito grande.

A Sra. estará sendo homenageada pelo G10 – uma organização privada que reúne o melhor do empresariado carioca. Como se sente pelo reconhecimento?
Muito honrada. Eu acho que fui a presidente que mais recebeu homenagem nesse país, inclusive sou detentora do conjunto de medalhas Pedro Ernesto, medalha Tiradentes e em São Paulo, fui homenageada como personalidade do ano de 2015 e pra mim é uma honra. Não sou eu, é a minha categoria que está sendo homenageada. É com eles que eu divido, se eu não estivesse nesse papel de presidente eu não seria homenageada e foram eles que me colocaram aqui. A homenagem não é só minha, é de toda a classe contábil.

A Sra chegou ao maior dos cargos dentro do seu seguimento, mas acha que o empoderamento feminino está só para aquelas que chegam no topo da cadeia?
Não, a dona de casa que educa os filhos também faz parte disso. Eu, às vezes, peço desculpa a minha filha e meu filho, porque eu fui uma mãe ausente. Eu nasci no Piauí, e estou a 47 anos no Rio. Vim sozinha aos 23 anos, naquela época era bem complicado, mas fui incentivada por uma mãe analfabeta, mas sábia. Ela dizia que a melhor herança que ela podia deixar era a educação, nós tínhamos inclusive uma bolsa de estudos em um colégio ginasial que não podíamos tirar menos que 7 para que a bolsa passasse para o outro filho, então não é só você estar nesses cargos. Eu fui uma mãe ausente porque sempre gostei de movimentos sociais, eu sempre acreditei no nosso país. Sempre acreditei e acredito que estamos passando a limpo nosso país, acredito piamente que vamos sair dessa crise bem mais fortalecidos e com a participação das mulheres que hoje ocupam esses cargos. Mas as que estão dentro de casa eu também considero empoderadas.

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