Home Política ELEIÇÕES 2018: E JOAQUIM BARBOSA?

ELEIÇÕES 2018:  E JOAQUIM BARBOSA?
0

ELEIÇÕES 2018: E JOAQUIM BARBOSA?

0

Faz três anos que Joaquim Barbosa deixou o STF, período que coincidiu com a escalada de poderes do ministro que havia se tornado seu principal antagonista no tribunal. A Corte não voltaria a protagonizar cenas como aquela. Arregimentado por Gilmar a apoiá-lo em nota, o colegiado começaria ali a alargar a avenida, sem lombada ou pedágio, para o desmesurado poder exercido por aquele que hoje lidera o ranking dos ministros com o maior número de pedidos de impeachment e suspeição e é alvo de abaixo-assinado que contabilizava 866 mil assinaturas até a quarta-feira (6).

Barbosa foi o primeiro ministro a deixar o Supremo no excercício de sua presidência. Quando se aposentou em julho de 2014, falavam quatro meses para entregar o comando de uma das cortes mais poderosas do mundo e 15 anos para findar seu mandato.
Em entrevista ao Valor Econômico, o ex-ministro mais popular e admirado do Brasil, afirmou que não será candidato em 2018.

“O Brasil foi sequestrado por um bando de políticos inescrupulosos que reduziram as instituições a frangalhos”, disse ele.

Barbosa afirmou ainda que em nenhum país uma figura como Michel Temer – acusado de levar propinas da Odebrecht e da OAS, além de comprar o silêncio de Eduardo Cunha e Lúcio Funaro – permaneceria no cargo depois de acusações tão graves.

O ex-ministro também denunciou a nota etapa do golpe conduzido pelos ladrões que assaltaram o poder. “Essa gente é tão sem escrúpulo que vai tentar impor o parlamentarismo para angariar a perpetuação no poder e se proteger das investigações. Esse é o plano. Seria mais um golpe brutal nas instituições”, afirmou. “O Brasil já fez, nos últimos 50 anos, dois plebiscitos. Em ambos, a votação contrária foi avassaladora. Em 1993, o parlamentarismo não obteve, se não estou enganado, mais de 25% dos votos. É uma ideia absolutamente exótica à organização institucional brasileira. O país vive há quase 130 anos sob um regime presidencialista. Seria uma irresponsabilidade absurda testar um experimento exótico desse, como se fosse um brinquedinho, um ioiô”.

Se Joaquim Barbosa vier a ser candidato, não tem motivos para se antecipar ao calendário. Graças à janela partidária de abril, sobre a qual mostra pleno conhecimento, o quadro de candidaturas apenas será conhecido a seis meses da disputa presidencial, a começar da mais definidora de todas elas, a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

COTADO NAS PESQUISAS
Em pesquisas de intenção de voto, Joaquim Barbosa chega a se equiparar à pontuação de Marina Silva, frequentemente apontada como sua referência mais próxima na política. Ele diz ter tido, no ano passado, dois encontros com a ex-candidata à Presidência. Foi ainda procurado por um emissário de Lula e por dirigentes do PSB, que tentaram convencê-lo, sem sucesso, a ir aos festejos dos 70 anos do partido. É ainda acossado por lideranças evangélicas com mandato político que se fiam na filiação religiosa de dona Benedita, mãe do ex-ministro, para tentar atraí-lo para a política.
VERDADES DE BARBOSA

“Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro… Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas do Mato Grosso.” Por premonitório, o libelo dirigido contra o ministro Gilmar Mendes ecoa hoje ainda mais do que ao ser proferido, em 2009. Por isso, a condição imposta por Joaquim Barbosa.

Pena para o Brasil!

Matéria de Marioa Cristina Barbosa
Valor Econômico

Comentários