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Cubanos lotam Praça da Revolução para se despedir de Fidel Castro
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Cubanos lotam Praça da Revolução para se despedir de Fidel Castro

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Ao todo, o funeral de Fidel Castro vai durar nove dias.
Cubanos ainda tentam entender os impactos da morte de um líder controverso.

Milhares de pessoas foram, nessa segunda-feira (28), à Praça da Revolução, em Havana, para se despedir de Fidel Castro. As cinzas dele ficarão no local até terça-feira (29). Mais cedo, houve uma salva de 21 tiros de canhão em homenagem ao ex-presidente cubano. Ao todo, o funeral vai durar nove dias.

Os preparativos para as homenagens públicas a Fidel Castro começaram no domingo (27). Trabalhadores passaram o dia montando um telão na Praça da Revolução, para receber centenas de milhares de pessoas que devem passar pelo local para se despedir de Fidel. Depois, as cinzas do comandante vão cruzar o país até Santiago de Cuba, onde serão enterradas.

Nas ruas, os cubanos ainda tentam entender os impactos da morte de um líder controverso. “Acho que não vai mudar nada do ponto de vista ideológico, mas o país precisa se desenvolver mais rápido. Mudar a forma de administrar a economia”, afirma um morador da ilha.

A Revolução Cubana completou 67 anos. Muita gente nem se lembra da época em que Fidel Castro ainda era o presidente. Mas com a invasão dos smartphones e da internet, os cubanos começam a conhecer um mundo bem diferente daquele idealizado pelos irmãos Castro.

A poucos metros da Praça da Revolução, três gerações se reúnem na frente de um tablet. Jamilca é irmã de Jorge, que fugiu para os Estados Unidos passando por outro país e está morando no estado do Kentucky: “Ele trabalha em uma fábrica de celulares e diz que a vida lá é grandiosa”.

Os telefonemas custavam caro. Se não fosse pelo serviço de internet sem fio que o governo passou a oferecer em algumas áreas de Havana, ela estaria há um ano e meio sem falar com o irmão cara a cara. A avó, que criou Jorge, diz que é o único jeito de matar a saudade: “Me sinto muito sozinha desde que ele foi embora. Fico muito feliz quando posso vê-lo”.

A neta, Maria Fernanda, também entrou na onda da internet. Ela gosta dos joguinhos e aproveita o tablet para falar com Korge, que é padrinho dela.

Viciado em redes sociais, Fernando Manoel é angolano e usa o celular para falar com os parentes que ficaram em Luanda. Ele foi sozinho para Cuba há três anos estudar medicina e diz que seria muito mais difícil aguentar a distância sem se conectar, mas queria mesmo era ter internet em casa.

Nos Estados Unidos
Os cubanos que se exilaram nos Estados Unidos após a revolução de 1959, ainda comemoram a morte de Fidel Castro. Mas nessa segunda-feira (28), dia de trabalho, não tem mais a festa nas ruas que se viu no fim de semana. Um grupo distribuiu camisetas com a frase: Cuba Livre.

Fidel Castro morreu no mesmo mês em que Donald Trump se elegeu presidente dos Estados Unidos e muitos se perguntam se essa combinação pode acelerar fim do regime cubano. Muitos exilados acreditam que sim e defendem um endurecimento na relação com os Estados Unidos e a manutenção do embargo econômico, ao contrário do que previa o presidente Barack Obama.

Isso, na visão de muitos exilados, forçaria uma mudança no regime cubano. Mas essa estratégia não funcionou nos últimos 50 anos. Muitos analistas ouvidos pela imprensa americana acreditam que, no curto prazo, nada muda em Cuba, já que Raúl Castro vai se manter no poder.

O que é certo é que Cuba atrai, cada vez mais, a atenção do mundo inteiro. Nessa segunda, como já estava programado, partiu de Nova York, o primeiro voo comercial ligando os EUA à Havana, o que não acontecia há mais de 50 anos.

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