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Consumismo impulsiona criminalidade onde ‘ter’ é melhor que ‘ser’
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Consumismo impulsiona criminalidade onde ‘ter’ é melhor que ‘ser’

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Alexandra Gomes
jornalnacaobrasil@gmail.com
O maior medo dos poderosos neste mundo é que a população se aprofunde sobre os reais motivos da degradação da sociedade. Violência, criminalidade, prostituição e o tráfico de drogas são apontados como as cruéis mazelas que assolam a humanidade.
Facilitadores? Falta de oportunidade, desemprego, juros altos, cidadãos e destaque sob cor-rupção, baixa escolaridade, crescimento das favelas, ampliação da impunidade, doutrinas esquerdistas e liberais, banalização dos relacionamentos e depreciação da instituição familiar, ideologia da militância LGBT…
Uma das verdades é que tudo se resume ao dinheiro; ao poder que o dinheiro proporciona, as possibilidades que o dinheiro oferece, as portas abertas que o dinheiro abre, a fama que o dinheiro conquista, aos ‘amigos’ que o dinheiro compra e a mais dinheiro que o próprio dinheiro atrai.

A humanidade desenhou o tipo físico da pessoa bem-sucedida. Padrão de moradia, estilo dos automóveis, marcas das roupas e nomes de estilistas para os sapatos. Do relógio aos óculos tudo deve atender a uma expectativa de status aceitável pelos que pensam determinar a con-duta dos demais mortais.
E, mesmo sem perceber, todos atendemos às expectativas, ainda que dotados de justificati-vas nada plausíveis. A desculpa da compra de roupa nova mesmo tendo o closet cheio de peças com etiqueta, um novo laptop pela desculpa do atual já estar velho, o Iphone por ter sido ultrapassado (mesmo que em perfeito funcionamento), aquela peça de liquidação imperdível, ainda que nem saiba onde e quando irá usar. Dentro de suas próprias possibilidades, trabalhadoras, chefes de família seguem a vida alimentando o consumismo, alguns dentro de uma ‘normalidade’, outros, exacerbados pela corrida interminável para superar as expectativas dos outros.
Quando esse panorama é visto pela ótica de crianças da periferia, o que para o resto do mundo é baseado em justificativas, para elas é uma questão de imposição. Ensinadas desde muito cedo sua insignificância para o resto da sociedade, elas enxergam, erroneamente, apenas e unicamente, através da conquista dos bens materiais uma chance de saírem do anonimato para deixarem de ser invisíveis na tentativa por alguma aceitação.
A sociedade é responsável por embasar o discurso dos rufiões e traficantes no discurso de sedução a nossos jovens para uma vida de prostituição e de criminalidade.

Quando um traficante recruta uma criança, um jovem, não é com a promessa de que ele terá condições de comprar um sofá decente para que sua mãe possa se acomodar ou pela possibilidade de comer produtos de primeira linha nas refeições diárias. A sedução para o mundo do crime vem pela conquista de bens materiais que o farão ser ‘aceito’ na sociedade.
Um objeto, dentro de um barraco na favela onde a polícia faz batida à procura de arma e drogas, denuncia que aquela família tem em sua casa alguém envolvido com a bandidagem; o tênis! Dentro do mesmo contexto de vida, casa velha, mal-acabada, lençóis puídos, poucos e velhos móveis, o tênis de marca famosa denuncia que aquelas pessoas não possuem condições de comprar um objeto desse porte.
Mas foi exatamente por ele que o traficante conseguiu mais um para sua gangue. Por um tênis, cordão de ouro, relógio da moda, boné e roupas que a rapaziada usa é que os criminosos seduzem nossa juventude para uma vida errônea, difícil e muito breve.
A obrigatoriedade de ter, conquistar, comprar e exibir tem levado meninas a uma vida pro-míscua pelo desejo de desfilar um sapato por evento e uma bolsa por dia.
No afã de ser popular e fazer parte da turma dos descolados, a entrega do baseado, a espiada na favela e a venda das drogas, para a conquista dos supérfluos, são caminhos de resultados rápidos.

Glamour na prostituição,
só pela televisão
Em sua 4ª edição, o NAÇÃO BRASIL, já apontava como a propagação do falso glamour atrai nossas jovens para o mundo da prostituição.
Em um país onde garota de programa se torna tema de filme, é entendível o porquê do alto índice de estudantes que optaram pela triste vida das garota de programa.
Roupas de grife, sapatos caros, cobertura em área nobre, dinheiro e muitos lugares badala-dos para frequentar. Em um thriller de quase duas horas de história, o relato da parte depri-mente das acompanhantes é esquecido pelos olhos da mídia que sempre escolhe dar ênfase para os ganhos materiais.
É pela roupa transada que os meninos portam armas, por uma imagem de it-girl que nossas meninas estão negociando sua inocência. É para andar pelas ruas do asfalto que o rapaz do morro vende drogas. Ele quer apenas afastar olhares de pré-julgamento pela forma simples que se veste ou do chinelo gasto que o calça.
O combustível que impulsiona esse consumismo desenfreado está na distorção de valores onde o ‘ter’ se tornou mais importante que ‘ser’.
A imposição para aceitação está na tentativa de atender expectativas impossíveis de serem atingidas. Carro zero todos anos, troca de Iphone a cada atualização do modelo, guarda-roupa com no mínimo 365 pares de sapato e bolsas, eventos sociais todos os fins de semana, conta bancária e dinheiro no bolso sem limites.
Impomos um estereótipo, somos medidos e retribuímos o preconceito com mais preconceito. Olhamos para o diferente de forma reprovatória. Alimentamos o consumismo, se não em nós mesmos, nos outros pela busca de se encaixarem em um padrão para serem aprovados.

O reverso deste caminho está na sociedade que não deixou ser seduzida por esse consumismo. Pais e mães que sabem dizer não a seus filhos para os exageros e despendem tempo para ensinálos os verdadeiros valores do ser humano. Jovens que se aplicam ao ensino e a uma vida íntegra para a conquista de seus sonhos. Mulheres notáveis que estampam, por si próprias, que o que usam e vestem não as fazem mais ou menos importantes.
É esta geração que tem nas mãos o poder de distorcer essas falsas afirmações e influenciar a população pela bandeira da conquista através do trabalho.
Pessoas que valorizam o próximo pelo o que ele é e não os classificam pela marca de carro que dirige ou o quanto carrega na carteira.
O fim do caos começa por ações individuais, pessoas simples que contagiarão a família, e es-ta será exemplo para os amigos, e os amigos levarão para suas casas e seus filhos espalharão para outros amigos e os amigos para o mundo e, como nas histórias de filmes de valor, a cor-rente do bem se expande e acontece exatamente como deve acontecer; o bem, sempre, vencendo o mal.
Decidir fazer o caminho inverso a essa distorção de valores é tirar das mãos dos bandidos as armas que os fazem seduzir nossos jovens. A sociedade precisa combater a superficialidade que envolve as relações interpessoais para valorizar o ser humano em sua essência.

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