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Brasil na luta contra o infanticídio indígena

Brasil na luta contra o infanticídio indígena

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Cercados por uma cultura diferenciada, os índios brasileiros de pelo menos 13 etnias diferentes, têm como tradição matar recém-nascidos que, dependendo da tribo, são vistos como amaldiçoados por serem gêmeos, filhos de mães solteiras, fruto de adultério e até mesmo por sofrerem de alguma deficiência física. A prática é mais comum em tribos isoladas como suruwahas, ianomâmis e kamaiurás. Cada etnia tem uma crença que leva a mãe a matar seu bebê.

DESUMANO
Mesmo sendo algo muito fora do normal para a maioria dos brasileiros, o infanticídio indígena ainda não é crime. Para eles isso é um gesto de amor, uma forma de proteger o recém-nascido o dando liberdade para viver bem e sem os problemas da Terra.

RITUAL
É um ato sem testemunha. As mulheres grávidas vão sozinhas até a floresta e, depois do parto, examinam a criança. Se ela tiver alguma deficiência, a mãe volta sozinha para a aldeia. Muitos bebês são abandonados na floresta e outros, enterrados ainda vivos.

RANKING DA MORTE
A morte desses recém-nascidos mudou para pior o mapa da violência no Brasil.
A cidade mais violenta do Brasil fica no interior do estado de Roraima. Chama-se Caracaraí e tem só 19 mil habitantes. De acordo com o último Mapa da Violência, do Ministério da Justiça, em apenas um ano, 42 pessoas foram assassinadas por lá. Entre elas, 37 índios, todos recém-nascidos, mortos pelas próprias mães, pouco depois do primeiro choro.

DIREITO À VIDA
Um projeto de lei que pretende erradicar o infanticídio já foi aprovado em duas comissões na Câmara Federal e agora vai para votação no plenário. O projeto prevê que os órgãos responsáveis pela defesa de indígenas, como a Funai, poderão ser responsabilizados se não agirem ao detectarem situações de risco. Diz ainda que é “dever de todo cidadão que tenha conhecimento das situações de risco informar, notificar, comunicar ações e atos que violam a vida, a saúde, a integridade física e psíquica” de indígenas em condição vulnerável.

QUESTÃO CULTURAL
Antropólogos defendem a não interferência na cultura dos índios. “Não se pode atribuir a isso qualquer elemento de crueldade. Se uma pessoa começa já no nascimento conter deformações físicas ou incapacidades muito grandes, você vai ter sempre em si um marginal”, avalia o antropólogo João Pacheco.

CERTIDÃO VITAL
Uma criança que não se nota uma explícita deficiência no momento do nacimento, recebe seu primeiro alimento de sua mãe que, na cultura indígena, é a cena de maior importância na vida de um pequeno ianomâmi. Quando a mãe amamenta o filho, é como se tivesse dando a ele a sua certidão de nascimento, é que ele está sendo aceito por ela e pela comunidade. Os índios acreditam que durante este ritual o bebê se torna um ser vivo.

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-- Jornal Nação --