Home Brasil BRASIL FINANCIA FÁBRICA PARA ESTUDO DA CURA DA AIDS QUE, DEPOIS DE 14 ANOS, SÓ CONSEGUIU PRODUZIR PARACETAMOL

BRASIL FINANCIA FÁBRICA PARA ESTUDO DA CURA DA AIDS QUE, DEPOIS DE 14 ANOS, SÓ CONSEGUIU PRODUZIR PARACETAMOL
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BRASIL FINANCIA FÁBRICA PARA ESTUDO DA CURA DA AIDS QUE, DEPOIS DE 14 ANOS, SÓ CONSEGUIU PRODUZIR PARACETAMOL

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Conhecido por seu baixo investimento em pesquisa, o Brasil , até mesmo quando se aventura no financiamento para descoberta de medicamentos, consegue decepcionar.
Depois de 14 anos apoiando financeiramente a criação de uma fábrica – a única de medicamentos de Moçambique – que se destinaria para a pesquisa de remédios para o combate à Aids, o país terá de se conter com a fabricação de analgésicos.

É que quem entra na Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM) dá de cara com um objeto em exibição dentro um cubo de vidro, sobre um pedestal. É um frasco de nevirapina 200 mg, componente de um dos tratamentos para a Aids. Pelo rótulo, sabemos que foi produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Brasil, e embalada no país africano. Validade: 05/2014.

Esperava-se que fosse um motivo de orgulho. Mas ali dentro estão as esperanças, vencidas e frustradas, dos dois países. Faz 14 anos que o Brasil apoia a criação dessa fábrica, destinada a produzir antirretrovirais – como são chamados os remédios que combatem o vírus HIV. É o mais longo projeto de cooperação do governo brasileiro na África, e o mais caro, com custo estimado em R$ 40 milhões.

Mas a iniciativa acaba de passar por uma transformação radical. Em vez de antirretrovirais, a fábrica produzirá paracetamol, analgésico comumente usado contra dor de cabeça e cólica. Para isso, contará com apoio técnico da Fiocruz e com um novo repasse de R$ 5 milhões do Ministério da Saúde brasileiro, aprovado no segundo semestre deste ano.

Tecnologia ultrapassada
O motivo principal da mudança é que a nevirapina, cuja tecnologia de produção o Brasil transferiu para Moçambique, ficou ultrapassada. Já foi muito importante no combate ao HIV, mas, à medida que o projeto da fábrica de antirretrovirais demorava para sair do papel, foi sendo substituída por outras drogas mais modernas e eficazes. Hoje, é raramente usada nos dois países.

“Produzir nevirapina sozinha é desperdiçar recursos, vai ser farinha. Já não se usa a nevirapina isolada no tratamento”, diz a médica Sheila Cassamo, responsável pela área de HIV da direção de saúde de Maputo, capital moçambicana. “Está obsoleta como droga”, completa.

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