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APLICATIVO PARA RELAÇÕES POLÍGAMAS FAVORECE VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES
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APLICATIVO PARA RELAÇÕES POLÍGAMAS FAVORECE VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

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Um aplicativo de encontros para polígamos causou uma forte controvérsia na Indonésia entre aqueles que veem este costume como uma perversão que atenta contra os direitos das mulheres e os que a defendem como parte da fé islâmica.

No seu escritório no sul de Jacarta, Lindu Cipta, criador do aplicativo Ayo Poligami (Vamos Poligamia) para smartphones, distribui o seu tempo comprovando os novos perfis registrados, dando entrevistas para a imprensa e rezando cinco vezes ao dia.

Como quase 88% dos mais de 260 milhões de habitantes da Indonésia, Cipta é muçulmano e, segundo a lei islâmica (sharia), pode se casar com até quatro mulheres desde que sejam uniões pactuadas e demonstre ter capacidade financeira.

Para Cipta, que recentemente teve que reforçar o controle sobre perfis falsos e conteúdo inadequado, o objetivo é ajudar pessoas solteiras, especialmente “mulheres com mais de 50 anos que continuam sendo virgens”.

Em setembro, o fundador do aplicativo se casou com uma das suas primeiras usuárias, se tornando o primeiro casamento através do Ayo Poligami.

A pesquisadora Ninan Nurmila, que realizou um estudo qualitativo sobre o efeito dos casamentos polígamos nas mulheres, assegurou que, na Indonésia, a maioria das pessoas vê a poligamia como “algo negativo, fora do comum”.

“Muitos muçulmanos dizem que a poligamia é parte da sharia, da identidade dos muçulmanos, mas são apenas perto de 5%; a maioria está em uma posição intermediária que considera que a poligamia só é permitida sob certas condições legais”, explicou Nurmila.

Consciente da controvérsia que criou com seu aplicativo, o fundador também foi acusado de traficar virgens. Mesmo assim, o empreendedor indonésio planeja abrir escritórios em países nos quais se permite a poligamia, como Malásia, China e Rússia, para conectar os polígamos do mundo.

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